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Passaredo
(1977)

02) Máscara 
(Francis Hime e Ruy Guerra)
03) Trocando em Miúdos 
(Francis Hime e Chico Buarque)
04) Meu Homem 
(Francis Hime e Ruy Guerra)
05) Lindalva 
(Francis Hime e Paulo Cesar Pinheiro)
06) Último Retrato 
(Francis Hime e Ruy Guerra)
07) Pouco me Importa 
(Francis Hime e Ruy Guerra)
08) Carta 
(Francis Hime e Ruy Guerra)
09) Maravilha
(Francis Hime e Chico Buarque)
10) Ave Maria 
(Francis Hime e Oduvaldo Vianna Filho)
11) Anoiteceu 
(Francis Hime e Vinicius de Moraes)
12) Meu Melhor Amigo
(Francis Hime e Olivia Hime)
13) Luisa 
(Francis Hime e Chico Buarque)
O nosso papo
que parecia tenso, no início, estoura em risada poucos minutos
depois, quando vem a revelação da idade de Francis: 38 anos.
Eu me assusto e ele acha graça, para quem tem 26 anos a proximidade
dos 40 parece algo bem distante. Em seguida a gente começa um papo
mais sério, falando das diferenças entre seu
primeiro disco, Francis Hime, lançado pela Odeon e este
segundo, Passaredo, que acaba de sair pela Som Livre.
Este
disco está diferente do anterior, na medida em que mudamos, de
um dia para o outro acontecem mudanças e já se passaram
quatro anos entre os dois lançamentos. O primeiro era uma tentativa
de mostrar tudo o que havia sido acumulado em meus nove anos de carreira.
Era deixar sair tudo aquilo que já não podia mais ser contido.
Este segundo trabalho é o momento vivido, ele não tem a
preocupação de abranger tudo o que já fiz.
Falando das
parcerias que compõem o disco, Francis vai mostrando o trabalho
inteiro, as diversas nuances que fazem o colorido, cada faixa com seu
detalhe. Ruy Guerra é um dos parceiros de maior número de
músicas: Carta, Meu Homem, Último Retrato,
Pouco me Importa e Máscara, sendo as duas primeiras
belíssimamente interpretadas por Olivia Hime. A importância
de Ruy neste disco é bem grande, tendo contribuído com parcerias
e idéias.
As músicas
deste LP têm sua história, como é o caso de Meu
Homem que teve num determinado momento duas letras e músicas
devido às constantes mudanças que Ruy e Francis foram fazendo.
A solução para duas composições absolutamente
parecidas foi aproveitar os melhores trechos de uma e outra numa só
música. O encontro dos dois aconteceu há anos. Juntos, eles
fizeram alguns grandes sucessos, como: Por um Amor Maior e Minha,
que durante tempos foi hino de fim-de-noite nos bares do Rio e em casamentos.
Trocando
em Miúdos é uma das parcerias com Chico Buarque de Hollanda,
sendo talvez a mais curtida do disco, tendo em vista a reação
favorável de tantos quantos a ouviram. Maravilha é
o som tropical, um pouco mambo, rumba, samba, alguma coisa de Caribe.
Esta música é cantada pelos parceiros, assim como Luiza,
uma cantiga de ninar que eles compuseram para suas terceiras filhas: a
Luisa com s, do Chico e a Luiza com z, do Francis.
O título
do LP veio de mais uma música da dupla: Passaredo, a dúvida
do disco. Composta há algum tempo, ela já era sucesso com
o MPB-4 e com Chico Buarque, por este motivo foi muito pesquisada entre
os amigos para se tomar uma decisão. O resultado final foi a sua
inclusão com uma nova roupagem, um arranjo diferente, que desse
uma marca de Francis a ela. O novo arranjo seria dentro de uma linha mais
simples, tendendo o popular. A abertura é feita com uma suíte
de flautas e trompas, durante mais ou menos um minuto segue-se um clima
sinfônico. Após esta introdução vem Francis
Hime puxando para o xaxado, num ritmo aberto, conseguindo seu intento
de popularizar a composição depois de um breve momento tendendo
ao erudito.
Das poucas
músicas que Francis compôs com Oduvaldo Vianna Filho, Vianinha
carinhosamente chamado, foi selecionada Ave Maria, que entrou na
peça Dura Lex, Sed Lex, no Cabelo só Gumex. Por sugestão
de Ruy Guerra, Francis tentou escrever um arranjo baseado nas saetas,
cânticos populares, bem primitivos, entoados nas Semanas Santas
da Espanha. Depois de tentar conseguir material para pesquisa através
da embaixada espanhola, ele desistiu da idéia e pensou em usar
as matracas vistas em Ouro Preto, pela mesma ocasião. O arranjo
final de Ave Maria usa uma forte percussão que valorizou
a letra de Vianinha, dando-lhe uma força dramática crescente.
Paulo César
Pinheiro é um parceiro antigo, ele e Francis começaram a
compor por volta de 1969. O choro Lindalva foi composto para o
filme de Alex Viana: A Noiva da Cidade. Havia um problema no momento
de gravar, quanto a utilização de piano num chorinho. A
sugestão de como tocar entrando em harmonia com o conjunto de instrumentos
chorões veio de Altamiro Carrilho. O resultado obtido torna esta
faixa um dos pontos altos de Passaredo.
A inclusão
de uma parceria com Vinicius é obrigatória e presta um homenagem
simbólica. Até 1963, quando conheceu Vina, a
idéia de compor era apenas um leve esboço de pensamentos,
soltos, sem forma. Foi com este conhecimento que veio a certeza de que
poderia fazer música, dar contorno nítido às suas
composições. Apesar de toda a formação musical
erudita, Vinicius incentivou o lado popular em Francis, juntos compuseram
alguns sambas. Um deles está gravado neste LP - Anoiteceu
- acompanhado de uma batucada forte, um andamento mais pesado com bumbos,
agô-gôs e tamborins. Ficou mais lento e virou sambão,
como sempre quis o Poetinha.
A mais nova
parceria de Francis é a produtora deste LP - Olivia Hime. A música
Meu Melhor Amigo tem letra dela. Em princípio era Chico
Buarque quem iria fazer esta letra, mas durante o tempo de espera Francis
descobriu um poema que se enquadrava perfeitamente em sua composição
e apesar de todos os protestos de Olivia surgiu a dupla e a música
foi gravada pela autora.
Depois de
quatro anos de intervalo, Francis Hime vem novamente ao público
com uma garra maior, como que seguindo os ciclos que determinaram o movimento
de sua carreira. Apresentando uma postura artística mais amadurecida,
baseada no distanciamento crítico em relação ao seu
primeiro trabalho e ao momento musical que vive.
ARETUZA
GARIBALDI (1977)
Ficha técnica:
Francis Hime
- piano e vocal
Olivia Hime - vocal e percussão
Oberdan Magalhães - sax e flauta
Maurício - baixo, violão e vocal
Tutti Moreno - bateria e percussão
Helvius Vilela - arp strings e percussão
Produção: João Tadeu
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