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Sonho
de Moço (1981)

01) A Tarde 
(Francis Hime e Olivia Hime)
02) Lua de Cetim
(Francis Hime e Olivia Hime)
03) Patuscada
(Francis Hime e Cacaso)
04) Luar
(Francis Hime e Olivia Hime)
05) Hora e Lugar
(Francis Hime e Cacaso)
06) Luz
(Francis Hime e Nelson Ângelo)
07) Homem Feito 
(Francis Hime e Milton Nascimento)
08) Amor Barato 
(Francis Hime e Chico Buarque)
09) Doce Vida
(Francis Hime e Toquinho)
10) O Farol
(Francis Hime e Milton Nascimento)
11) Cachoeira
(Francis Hime)
12) Sonho de Moço 
(Francis Hime e Milton Nascimento)
Este disco,
Sonho de Moço, me parece ser a síntese do meu trabalho,
de tudo que tenho feito em termos de disco, arranjos, música para
cinema etc.
Desde Passaredo,
meu primeiro disco pela Som Livre, havia uma pesquisa de gêneros
ritmicos e esta busca chegou ao lugar que pretendia em Francis,
o LP anterior a este. Acredito que a partir daí eu tenha sacado
mais as coisas que me emocionavam, que são mais representativas
do meu ser musical, é por causa disso que neste disco pinta essa
espécie de síntese, juntamente com a sensação
de estar vivendo coisas que já foram vividas no início da
minha carreira. Não como um retorno às origens, mas como
um amadurecimento daquela época.
Neste início
tinha um lado de canção, estimulado pelo Ruy Guerra, e um
lado de samba, estimulado pelo Vinicius de Moraes, meus parceiros principais.
Agora, olhando para o repertório escolhido, você pode ver
muito samba e muitas canções em geral. Na parte de orquestração
está acontecendo uma coisa mais leve, com uma riqueza maior de
timbres. Nas letras, apesar de não serem feitas por mim, aponta
uma leveza maior e mais humorada, mas que são também românticas
e generosas.
O disco tem
um traço comum, que são os nossos parceiros (Milton, Toquinho
e Nelsinho Ângelo), todos músicos mais conhecidos pelo trabalho
de composição musical. Acho isso ótimo, porque acontece
muita troca em termos de música. Está, inclusive, desenvolvendo
em mim a vontade de fazer letras. Essa parceria com músicos, provavelmente
vai estimular meu lado não explorado de letrista, que eu gostaria
de agitar. Outro desejo que vem aparecendo com estes novos dados é
o de parceria musical, compor junto mesmo. É uma coisa mais difícil
de adaptar, porque já venho desenvolvendo um trabalho com um carinho
delineado e pode ser complicada esta junção, mas é
uma idéia que me fascina.
Sonho
de Moço vem solidificar a parceria com Olivia, que está
sendo muito boa, pois é um trabalho que está se desenvolvendo,
deixando de ser uma coisa esporádica para começar a ser
regular. A gente está inclusive disciplinando mais o trabalho,
compondo fora do período de preparação do disco.
A Olivia está se definindo como letrista e isso define a parceria.
Eu tenho um estilo musical e quando o parceiro defino um estilo literário,
a criação dos dois passa a ter um estilo também,
como se fosse uma marca registrada. Acho isso muito importante, porque
às vezes, pessoas chegam e dizem que reconhecem uma música
ou um arranjo meu no rádio, antes mesmo de saberem quem era o autor.
Isso me deixa muito lisonjeado.
O Milton
também é uma contribuição nova, foi algo que
mudou o meu trabalho. Mudou de certa forma, porque ele é um parceiro
que pintou de repente, que sacudiu com a minha maneira de ver as letras.
Por exemplo, a música Sonho de Moço, era cantada
mais rápido e foi ele quem me deu o toque para cantar mais lento.
Isso afeta a visão que tenho de letras, das possibilidades que
ela pode me dar dentro de uma música. A emoção que
vem do Milton é o principal, me deixa fascinado. Ele é um
cara que escreve de forma muito peculiar, usando a elipse com uma propriedade
enorme e, também, sugerindo muito. É um jeito mineiro de
compor, não conheço ninguém que escreva como ele.
Finalizando
os comentários, uma curiosidade: a música escolhida para
dar nome ao disco foi Sonho de Moço e a capa é um
retrato meu, pintado por Dália Antonina, minha mãe, quando
eu tinha mais ou menos seis anos de idade, época em que comecei
meus estudos de piano.
FRANCIS
HIME (1981)
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