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Pau Brasil (1982)



01) Pau-Brasil letra ouça um trecho
(Francis Hime e Geraldo Carneiro)
02) Cada Canção
letra
(Francis Hime e Olivia Hime)
03) Falcão
ouça um trecho
(Francis Hime)
04) Língua de Trapo
letra
(Francis Hime e Cacaso)
05) Ribeirinho
letra
(Francis Hime e Cacaso)
06) Rio Vermelho
letra
(Francis Hime e Cacaso)
07) Embarcação
letra
(Francis Hime e Chico Buarque)
08) O Tempo da Flor
letra
(Francis Hime e Vinicius de Moraes)
09) Luar do Japão
letra
(Francis Hime e Cacaso)
10) A Grande Ausente
letra
(Francis Hime e Paulo Cesar Pinheiro)
11) Mente
letra
(Francis Hime e Olivia Hime)
12) Rio Negro
(Francis Hime)

 

A leveza e a transparência que encontramos em Pau Brasil é a continuidade de um caminho iniciado no disco anterior Sonho de Moço. Tocando com alguns músicos novos, como Jamil Joanes (baixo), Téo (bateria) e Luis Cláudio (violão), Francis conseguiu transmitir um toque de maior criatividade no estúdio, explorando seu lado popular de forma bem mais comunicativa. Isto pode ser sentido na abertura com que ele desenvolve as músicas deste disco.

Pau Brasil é o nome do disco e da primeira faixa do LP, uma salsa em parceria com Geraldinho Carneiro. Nesta música, Francis alterna dois ritmos contrastantes, mas perfeitamente interligados, com uma suavidade incrível; ele passa da salsa para a valsa (segunda parte) curtindo muito.

Com Cacaso ele compôs quatro músicas: um frevo, Luar do Japão, que tem a participação especial de Armandinho no bandolim elétrico; Rio Vermelho, um xaxado, com Chiquinho no acordeom, composta no início do ano e trabalhada durante longo tempo, até conseguir um amadurecimento musical que lhe dá um intenso brilho. A canção Ribeirinho tem um tratamento muito simples, apenas flauta, clarinete e piano, que no final se transforma num chorinho incrível, com participação de Rafael, violão de sete cordas. Língua de Trapo é um samba leve, irreverente e brejeiro, que deveria ter sido gravado no ano passado, mas, censurada, ela só conseguiu ser liberada para este trabalho. Nesta música a idéia era gravar um samba bem tradicional, mas durante a gravação, no estúdio, o clima foi mudando e o resultado é um delicioso calango.

A Grande Ausente é uma parceria muita antiga com Paulinho Pinheiro, retirada do fundo do baú. Uma canção romântica, que foi apresentada no Festival da Record em 68, provocando grande movimento. Olivia Hime, mulher e parceira de Francis, assina duas músicas: Mente, um blue lindíssimo, que tem a participação de Cleberson (Roupa Nova) no órgão e Cada Canção, música que pode ser considerada a definição da idéia deste disco em suas primeiras frases: “Essas são as mesmas canções que cantamos / seremos sempre irmãos e hermanos / filhos das mesmas cantigas de roda”. É uma canção que vai ao chorinho e volta à canção, é a capacidade de, no desenvolvimento da linha melódica, exprimir diversos sentimentos e formas. Nela, são utilizadas cordas, mostrando que os caminhos musicais são muitos e a busca de novas formas musicais é o renovar sempre.

A parceria de Chico Buarque não poderia faltar no disco de Francis, pois seus caminhos profissionais estão interligados, em diversos pontos, de modo muito forte. Embarcação, a música que os dois compuseram juntos, é uma viagem da fantasia, é um samba que vai se modulando, sugerindo a idéia de um crescimento contínuo.

O primeiro parceiro, embora hoje ausente, Vinicius assina O Tempo da Flor, colocada neste disco pela proposta de alegria, que corresponde ao momento musical de Francis. A música instrumental, que vem se insinuando a cada novo trabalho, acontece duas vezes em Pau Brasil.

São duas homenagens. Rio Negro, um baião feito em homenagem a Vinicius Cantuária, um amazonense cuja linha melódica é muito curtida por Francis. É um desfile de instrumentos de sopros, construido a partir de uma base muito enxuta, transformando-se, em alguns momentos, num desafio de instrumentos, quando alguns deles solam e outros respondem, dando voltas próprias do baião. Falcão é a explosão de emoções sentidas nos momentos belíssimos das jogadas deste maravilhoso jogador da Seleção Brasileira. A música é leve, elegante e harmoniosa como os movimentos do homem e da ave.

Pau Brasil é o sexto disco da carreira de um dos mais importantes nomes da nossa música, um músico que consegue se renovar a partir do espaço musical interno de intensa criatividade e emoção.

ARETUZA GARIBALDI (1982)