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Clareando
(1985)

01) Clara 
(Francis Hime e Geraldo Carneiro)
02) Trocando em Miúdos
(Francis Hime e Chico Buarque)
03) E se 
(Francis Hime e Chico Buarque)
04) Lua de Cetim 
(Francis Hime e Olivia Hime)
05) Atrás da Porta 
(Francis Hime e Chico Buarque)
06) Vai Passar
(Francis Hime e Chico Buarque)
07) Por Tudo que Eu Te Amo 
(Francis Hime e Carlinhos Vergueiro)
08) Parceiros 
(Francis Hime e Milton Nascimento)
09) Pivete 
(Francis Hime e Chico Buarque)
12) Meu Caro Amigo 
(Francis Hime e Chico Buarque)
Com oito
LPs gravados, a carreira do cantor e compositor Francis Hime vem se delineando
com bastante precisão desde o primeiro disco. Um artista sensível,
com grande versatilidade, Francis vem vivendo um processo de abertura
musical, bastante acentuado em seu trabalho anterior e que vem desembocar
no LP Clareando. Um nome bastante simbólico, que pode significar
abrir espaços ou clareiras, mas que quer dizer
também tornar-se lúcido, penetrante, perspicaz;
aclarar-se. Sobre este processo de clarear e sobre seu novo
disco Francis nos falou um pouco nesta entrevista:
Francis,
nos seus dois últimos discos, você já vinha fazendo
uma espécie de balanço da carreira; agora este disco traz
músicas novas ao lado de antigas. É o final deste balanço?
Não
sei se é uma conclusão de balanço, porque um balanço
fica muito formal. Ele é apenas a idéia de dar uma geral
na carreira. É um disco mais voltado para o lado compositor. Neste
sentido é uma reavaliação das músicas que
eu gostei e gosto muito de ter composto. Músicas que vão
desde "Atrás da Porta", que é uma das mais antigas,
até músicas bem recentes.
A colocação
de músicas já gravadas em discos novos, sempre parece uma
coisa nostálgica. Como é que você fez para fugir deste
esquema, ou seja, usar músicas antigas sem parecer um disco antigo,
ou de sucessos?
Eu acho
que partindo da visão do compositor, as músicas não
soam como antigas, porque certas músicas poderiam ter sido compostas
agora. Assim como músicas que eu fiz hoje, também poderiam
ter sido feitas há dez anos atrás. Eu remixei algumas músicas,
o que dá uma roupagem diferente a elas, coloquei nova voz em outras,
mas o critério deste disco foi puramente o gosto, o prazer das
músicas em si.
Francis,
como é que você definiria este disco?
Este disco
soa como uma revisão afetiva de meu trabalho e por causa disso
mesmo, ele dá às pessoas a visão que eu tenho sobre
a minha música, minha carreira. Ele mostra porque "Trocando
em Miúdos" vem desembocar na recente composição
com Carlinhos Vergueiro "Por Tudo Que Eu Te Amo", ou mesmo por
que "Meu Caro Amigo" vem desdobrar-se em "Clara",
parceria com Geraldo Carneiro. A gente só tem uma visão
de tudo isso e compreende os caminhos quando se faz uma reavaliação
afetiva do trabalho.
Feita
a reavaliação afetiva, como é que você sentiu
o resultado? O disco pronto?
Eu senti
vontade de compor muito mais, senti como um reforço no meu desejo
de abrir mais espaços. Sei lá, senti vontade de desenvolver
mais o meu lado erudito, compor, por exemplo, uma sinfonia. Trabalhar
mais em teatro, porque de repente você tem uma visão do que
quer fazer em termos de carreira, de tudo que você ainda tem por
fazer.
As duas
músicas inéditas foram compostas com parceiros recentes.
O Geraldinho Carneiro já vem de mais tempo, mas faz parte da nova
geração de parceiros e o Carlinhos Vergueiro é novo
mesmo. Isso foi planejado ou é um acaso?
Isso foi
por acaso. São duas músicas recentes, que eu gosto muito
e que escolhi para este disco. Mas as músicas poderiam ter sido
com parceiros mais antigos. Agora... pensando bem, não é
totalmente acaso, porque minha tendência é sempre trabalhar
com gente nova, abrindo as parcerias cada vez mais. Estas duas músicas,
"Clara" e "Por Tudo Que Te Amo", vêm confirmar
esta disposição.
Como foi
a gravação de Clareando?
A produção
foi de Sergio Carvalho, que já tinha produzido o disco anterior.
No plano da gravação foi um disco muito simples de fazer,
muito rápido. Como já estava bem resolvido dentro de mim,
ele pôde ser fácil de gravar. Foi um trabalho saboreado,
gostoso de fazer. Trabalhei com músicos que gosto de trabalhar.
Gente como o Raphael Rabello, no violão 7 cordas; Paulinho Braga
e Téo Lima, na bateria; Jamil Joanes, no baixo; o Marcio Montarroyos,
trumpete e o Toninho Horta e Burnier nas guitarras; Lucinha no cavaquinho;
Celso Woltzenlogel e Mauro Senise nas flautas. São os amigos de
sempre.
IMPRENSA
(Setembro de 1985)
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