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Brasil
Lua Cheia (2003)

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01) No Parangolé do Samba 
(Francis Hime e Paulo Cesar Pinheiro)
02) Cinema Brasil 
(Francis Hime e Joyce)
03) Um Seqüestrador
(Francis Hime, Vinicius de Moraes e Adriana Calcanhotto)
04) O Amor Passou 
(Francis Hime e Geraldo Carneiro)
05) Corpo Feliz 
(Francis Hime e Cacaso)
06) Canção Transparente 
(Francis Hime e Olivia Hime)
07) Meu Coração 
(Francis Hime e Vinicius de Moraes)
08) Disfarçando 
(Francis Hime e Olivia Hime)
09) Choro Incontido 
(Francis Hime e Paulinho da Viola)
10) Navios 
(Francis Hime e Paulo Cesar Pinheiro)
11) Minas Goiás 
(Francis Hime e Cacaso)
12) Pó de Granito 
(Francis Hime e Lenine)
13) Menina 
(Francis Hime e Moraes Moreira)
14) Brasil Lua Cheia
(Francis Hime e Moraes Moreira)
Em sintonia
com o que parece representar um momento de esperança e otimismo
para os brasileiros, Francis Hime lança Brasil Lua Cheia,
10° disco de sua carreira e o primeiro inteiramente gravado pela Biscoito
Fino. Com repertório formado somente por músicas inéditas,
Francis inaugura parcerias com Lenine, Adriana Calcanhotto, Paulinho da
Viola, Joyce e Moraes Moreira, além de novas investidas cancioneiras
com Paulo César Pinheiro, Geraldo Carneiro, Cacaso, Olivia Hime
e Vinicius de Moraes.
Brasil
Lua Cheia é um disco de compositor e orquestrador. Reúne
de uma maneira mais abrangente, as várias vertentes da música
de Francis Hime. São quatorze canções, arduamente
escolhidas entre as mais de 50 inéditas que Francis dispunha. Paralelamente
ao trabalho de composição, Francis buscou um caminho de
instrumentação, primando pela variação de
cores e timbres, dando uma atenção especial aos diferentes
naipes orquestrais.
Nunca
trabalhei tanto em um disco. Me dediquei quase um ano exclusivamente a
ele. O álbum é fruto de um intenso processo de amadurecimento
de minhas composições, atesta Francis Hime.
Temos, assim,
formações que privilegiam ora as cordas, ora os metais,
ora as palhetas e momentos onde as sonoridades convergem de maneira a
produzir um resultado sonoro de uma orquestra sinfônica. Certamente,
influências do seu trabalho anterior, quando escreveu a Sinfonia
do Rio de Janeiro de São Sebastião.
Por outro
lado, Francis procura variar o tratamento dado às chamadas bases,
de acordo com o que cada música sugere, usando violões,
cavaquinhos, guitarras, bandolins e diferentes percussões que vêm
dar a unidade, a liga a todo este trabalho.
A faixa-título,
Brasil Lua Cheia, resume o espírito do álbum, o mais
vigoroso e contagiante da carreira do compositor. A cadência remete
a clássicos como Vai Passar, absolutamente antenado com a filosofia
de Moraes Moreira: Sambando / a esperança me disse / eu sonho
um Brasil Lua Cheia / sem essa de eclipse / Na vida ninguém paga
meia.
O
disco explora os contrastes de minha música e os contrastes do
próprio Brasil. É um trabalho inspirado no momento de esperança
que o país vive, relaciona o compositor. Brasil
Lua Cheia é isso, não tem eclipse.
Menina,
outra parceria com o ex-Novo Baiano, pincela elementos latinos, entre
a rumba e o mambo. Ao contrário de Brasil Lua Cheia, onde
Francis musicou uma poesia de Moraes, aqui foi este quem letrou a música
daquele. Cinema Brasil é a primeira canção
feita a quatro mãos por Francis e Joyce. A autora foi buscar em
antigas películas o enredo da letra que incorpora Grande Otelo,
Oscarito e Dercy Gonçalves à revolução estilística
do Cinema Novo, passando por Leila Diniz, Márcia Rodrigues e Dina
Sfat, até dobrar-se ante a grandeza de Fernanda Montenegro.
Dos novos
parceiros, Adriana Calcanhotto e Lenine, mais ambientados no segmento
pop/rock, podem sugerir surpresa ao ouvinte menos atento, mas universos
supostamente distintos acabam por estabelecer uma cumplicidade poucas
vezes vista na MPB contemporânea. Adriana fez a letra de Um Seqüestrador
sobre uma música composta por Francis e Vinicius de Moraes na década
de 70. A própria Adriana canta junto com Francis: rimas ricas
/ maluquices obscenas / popular / amador / pragmático (...) um
verso seqüestrador.
Toquei
esta música num show com Adriana, em homenagem a Vinicius, e agora
pedi a ela que escrevesse uma letra para esta canção. O
resultado ficou lindo, comemora.
Já
Lenine fez os versos do samba Pó de Granito, unindo Rio
e nordeste em compasso de pós-modernidade. O músico pernambucano
interpreta ainda, em dueto com Francis, a toada Corpo Feliz, com
letra do poeta Cacaso. De Cacaso também são as estrofes
de Minas Goiás. A melodia empresta sofisticação
às trilhas rurais preconizadas pelo poeta. Paulinho da Viola fez
a letra para Choro Incontido, que canta junto com Francis, no disco.
Dentre os
colaboradores de sempre, nesses 40 anos de carreira (as primeiras composições
de Francis foram criadas em 1963, com letras de Vinicius de Moraes), não
poderiam faltar Paulo César Pinheiro, Geraldo Carneiro e Olivia
Hime, além do próprio Vinicius. A inédita Meu
Coração é um samba-choro, com letra do poetinha.
O maestro explica o processo:
Vinicius
fez esta letra em cima de uma melodia minha. A letra é belíssima,
mas tem um estilo mais intimista, que não combinava muito com a
música, de um caráter mais épico. Então, resolvi
compor agora uma nova canção, em cima dos versos do poeta.
Com Paulo
César Pinheiro, Francis apresenta a alegórica No Parangolé
do Samba, onde Pinheiro letrou a sua música. Já na reflexiva
Navios, foi o inverso, com Francis musicando o poema do parceiro.
É o mesmo caso de O Amor Passou, de uma safra recentíssima
de poemas de Geraldo Carneiro, todos musicados por Francis. Já
com Olivia, o processo de parceria começa pela música, que
depois, recebe os versos dela. Foi assim com Disfarçando
e Canção Transparente, esta, por sinal, a última
música composta para o disco.
Além
da direção de estúdio, assinada por David Tygel,
vale ressaltar a participação de músicos como Robertinho
Silva, Ricardo Silveira, Jorge Hélder, Rômulo Gomes, Maurício
Carrilho, Luciana Rabello, Carlos Bala, Marcelo Bernardes, Vittor Santos,
Paulo Sérgio Santos, Cristiano Alves, Celsinho Silva, Jessé
Sadock, Celso Woltzenlogel, Pedro Amorim, Aloísio Fagerlande, entre
outros, suportes indispensáveis para estimar, pra lá das
alturas, a lua do Brasil de Francis.
FICHA
TÉCNICA:
Uma realização
Biscoito Fino
Direção geral - Kati Almeida Braga
Direção artística - Olivia Hime
Arranjos
- Francis Hime
Direção de estúdio - David Tygel
Produção musical - David Tygel e Francis Hime
Produção executiva - Joana Cunha
Gravado e mixado por Rodrigo de Castro Lopes
Engenheiro assistente - Lucas Ariel
Masterização - Luiz Tornaghi (Visom) / Rodrigo de Castro
Lopes
Gravado e mixado no estúdio da Biscoito Fino em abril / maio /
junho de 2003
Capa / projeto
gráfico - Luciane Ribeiro
Fotos - Jefferson Mello
Coordenação de produção - Joana Cunha
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