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Álbum Musical (2004)

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01) Anoiteceu letra
(Francis Hime e Vinicius de Moraes)
02) Pivete letra
(Francis Hime e Chico Buarque)
03) Sem Mais Adeus letra
ouça um trecho
(Francis Hime e Vinicius de Moraes)
04) Meu Caro Amigo letra
(Francis Hime e Chico Buarque)
05) Embarcação letra
(Francis Hime e Chico Buarque)
06) A Noiva da Cidade letra
(Francis Hime e Chico Buarque)
07) Pássara letra
ouça um trecho
(Francis Hime e Chico Buarque)
08) Minha letra
(Francis Hime e Ruy Guerra)
09) Atrás da Porta letra
(Francis Hime e Chico Buarque)
11) Luiza letra
(Francis Hime e Chico Buarque)
12) Tereza Sabe Sambar letra
(Francis Hime e Vinicius de Moraes)
13) E se letra
(Francis Hime e Chico Buarque)
14) A Tarde letra
(Francis Hime e Olivia Hime)
15) A Grande Ausente letra
(Francis Hime e Paulo Cesar Pinheiro)
16) Trocando em Miúdos letra
(Francis Hime e Chico Buarque)
17) Clara letra
(Francis Hime e Geraldo Carneiro)
18) Vai Passar letra
(Francis Hime e Chico Buarque)

 

Este Álbum Musical foi feito com os meus amigos, e para os meus amigos. Para cada música, pensei num determinado intérprete, que quase sempre tinha uma ligação especial com aquela música. Contei também com excelentes músicos, em especial, dois arranjadores da pesada, como Cristóvão Bastos e Marco Pereira. Agradeço o carinho de todos que participaram deste trabalho, que vai aqui dedicado às minhas cinco mulheres queridas: Olivia, Maria, Joana, Luiza e Beatriz. Em seguida, alguns comentários sobre as músicas aqui gravadas.

ANOITECEU - Desde que conheci Bituca, ele gostava muito dessa música, e chegamos a cantá-la várias vezes em Três Pontas, quando de um evento em homenagem a Milton, inaugurou-se a praça Travessia, com um grande show. Logo depois, eu a gravei no meu disco Passaredo e Bituca ficou “brabo” comigo (como ele costuma dizer), pois queria que eu o chamasse para tocar violão na gravação. Imaginem, que modéstia!... E agora cerca de vinte anos depois, vejam que coisa mais bonita que ficou o samba cantado por ele. A propósito, aquelas vozes todas da introdução à capella, ele inventou na hora...

PIVETE - Pouco depois que eu gravei esta música, em 1978, Caetano me dizia que queria muito apreder a tocá-la no violão, para poder ficar curtindo em casa, ou até cantá-la em shows. Me lembrei disso, quando o convidei para gravar o Pivete, e Caetano cantou lindamente, com todas aquelas notinhas “tortas” que a melodia tem.

SEM MAIS ADEUS - Esta é a minha primeira música (1963) e iniciou minha parceria com Vinicius, no dia em que na varanda do Antonio´s, ele chegou com um guardanapo de papel, trazendo a letra ali escrita. É uma canção que sempre foi muito popular entre os músicos de minha geração, e me lembrando que é a única música que Chico sabe tocar no piano, liguei para ele perguntando se ele gostaria de cantá-la no disco. Ao que ele me respondeu: “Acho ótimo, mas veja lá se você não vai me por pra tocar piano nela...” Chico não tocou piano, mas cantou de uma maneira emocionante.

MEU CARO AMIGO - Sempre pensei no Paulinho cantando este choro, e assim como eu imaginava, a gravação dele ficou deliciosa. Ele está tão a vontade, que parece que está cantando uma música dele mesmo. Saudações vascaínas, caro Paulinho!

EMBARCAÇÃO - Das minhas músicas com Chico, essa é uma das que eu mais gosto, e adoro esta interpretação cheia de nuvens, forte e delicada ao mesmo tempo, que Olivia construiu para este samba. Uma forma de cantar que veio sendo sedimentada ao longo de muitos shows, onde ela cantou Embarcação, e que de um certo modo, tornou Olivia um pouco parceira desta música, tal a transformação que sinto nela.

A NOIVA DA CIDADE - Bem, essa música, dificilmente alguém cantaria mais bonito que o Djavan. Nossa! Que coisa linda... Quando passei na casa dele, e tiramos o tom no violão, e ele começou a cantarolar a canção, já fiquei imaginando a beleza que ia ficar...

PÁSSARA - Me lembrei de um show de Bethânia, chamado Pássaro da Manhã onde a música introdutória do espetáculo era Pássara. Liguei pra ela, mandei uma fitinha, tiramos o tom pelo telefone, e alguns dias depois, ela chegou e arrasou, com esta belíssima e tão emocionante interpretação.

MINHA - Esta é a música que representa, neste disco, a minha parceria com o meu querido compadre Ruy Guerra, cronologicamente o meu segundo parceiro. Achei que ficaria bonita vê-la cantada por um compositor da geração seguinte à minha, ainda mais sendo Ivan um músico tão especial, de caminhos tão originais.

ATRÁS DA PORTA - Em 1972, Elis Regina estava preparando um disco, e me pediu um K-7 com músicas novas. Na fita, incluí, a pedido dela, uma canção com apenas a metade da letra pronta (de Chico), e Elis, tendo decidido gravar a música, ficou “cobrando” o final da letra do Chico. Algum tempo depois, em Los Angeles (onde eu morava na época), recebi uma ligação do Chico que, eufórico, me passava a letra pelo telefone. Logo depois, saiu aquela gravação antológica de Elis, mas na qual, curiosamente, talvez pela distância, havia algumas notas musicais trocadas. E agora, Zelia Duncan, que conheci há pouco tempo, e que me encantou com sua voz e musicalidade, grava Atrás da Porta, na versão original, como eu a compus, com direito a todas as notinhas... Adorei, Zélia!

PASSAREDO - Esta toada foi composta para o filme A Noiva da Cidade, de Alex Vianny, e depois disso, várias gravações foram feitas, mas eu sempre tive muita vontade de ouví-la na voz tão musical e delicada de Miúcha, minha amiga tão querida. Ficou linda, Miuchinha!

LUIZA - Esta é uma canção de ninar dedicada a Luisa (terceira filha do Chico) e a Luiza (minha terceira filha, e sua afilhada), e motivo de discórdia permanente entre nós, já que a dele é com “S”, e a minha é com “Z”. Aqui ela sai com “Z”, é claro!... Quando decidi incluí-la neste disco, pensei logo em Toquinho, outro parceiro querido meu, e que fez tantas canções para crianças com Vinicius, e acho que foi uma boa idéia. Obrigado, Tôco!

TEREZA SABE SAMBAR - Em 1966, acontecia no Rio o show Pois É, reunindo Vinicius, Gil e Bethânia, com direção musical minha. Foi quando comecei a conhecer a música riquíssima deste baiano maravilhoso. Eu me lembro que Vinicius brincava, dizendo: “Tem que prender este baiano, que ele é bom demais”. Foi a pedidos insistentes de Gil, que um pouco depois, eu tomei coragem, e escrevi o meu primeiro arranjo para orquestra grande, num festival da canção, no Maracanazinho, onde Gal cantava Minha Senhora, música dele. Mas voltando ao show, uma das músicas que Gil cantava, e cantava tão bem que parecia uma música dele, era Tereza Sabe Sambar e agora, quase 30 anos depois, eu tenho a enorme alegria de vê-la gravada por ele. Saravá, Gil!

E SE - Conheci Daniela há uns 3 anos, quando participamos juntos de um show em Salvador, por ocasião da conferência ibero-americana. Mas a grande curtição foi quando, depois do show, cantamos juntos na rua, em meio a um grande batuque, o Vai Passar. Fiquei cativado com a sua alegria, e para o E Se, só poderia ser Daniela!...

A TARDE - Leila é uma cantora extraordinária, adoro as suas gravações de músicas minhas, e ela foi uma das primeiras a gravar Lua de Cetim, da minha parceria com Olivia. Aqui, ela volta a cantar uma música nossa, e nem preciso dizer que adorei de novo!...

A GRANDE AUSENTE - Esta é uma parceria minha com Paulinho Pinheiro, um dos meus primeiros parceiros. É uma canção bem romântica, da época dos festivais da década de 60, e tem tudo a ver com Zé Renato, um dos grandes cantores do Brasil, dono de voz tão bela quanto expressiva.

TROCANDO EM MIÚDOS - Esta foi a última música a ser gravada, e eu preferi atrasar um pouquinho a época do lançamento do disco, para não deixar de contar com a voz preciosa de Gal. E se fosse preciso, atrasaria mais ainda, pra poder sentir a emoção que tive, ouvindo Gal cantá-la...

CLARA - Este samba, de parceria com meu grande amigo Geraldinho Carneiro, foi feito para Clara Nunes, mulher e cantora extraordinária, e que se mandou cedo demais. E nada mais bonito, ver agora Beth Carvalho, outra sambista sensacional, homenageando a sua antiga colega.

VAI PASSAR - Um certo dia, depois do futebol das quartas-feiras, no campo do Chico, no Recreio, fomos todos para a sua casa, na Gávea, tomar umas cervejinhas (a melhor coisa depois de uma pelada, bem como depois de um show, diga-se de passagem), e Chico nos mostrou um samba-enrêdo, que estava desenvolvendo, e que quando chegava num determinado acorde, ele não tinha idéia de como prosseguir. E nos convocou, a todos os presentes, para que, na melhor tradição do samba-enrêdo, fizéssemos um samba coletivo. Mas o porre era geral! Parece que eu fui o último a cair, e antes da queda final, acenei com uma solução musical, que Chico achou interessante. Então, comecei ali mesmo com forte inspiração etílica, a esboçar algumas melodias que evidentemente, não davam para ser concatenadas, com aquelas cervejas todas... Nos dias seguintes, já mais sóbrio, dei uma boa trabalhada, e logo o nosso samba estava pronto para Chico letrar.

Na ocasião, ele me disse que João Bosco chegara a fazer uma frase musical, mas que tinha sido “desclassificado” pela comissão imaginária, pois a usara em outro samba seu... De modo que João, que na época quase foi parceiro neste samba, tornou-se agora parceiro de fato, com a interpretação sensacional e magistral que faz aqui do nosso samba, com direito até a reinventar harmonias. Valeu, João!

FRANCIS HIME (1997)

FICHA TÉCNICA:

Direção artística - Francis Hime
Produção - Francis Hime
Produção executiva - Francis Hime e Breno Ferreira
Arranjos - Cristóvão Bastos e Marco Pereira
Seleção de repertório e intérpretes - Francis Hime
Direção de estúdio - Francis Hime
Gravado nos estúdios Blue Studios - RJ, em 1995
Engenheiro de gravação - Sergio Ricardo
Assistentes de estúdio - Shaine, Carlão, Alexandre Maurell e Aurelio Kauffman
Mixado por Sergio Ricardo e Francis Hime no Blue Studios, em 1997
Engenheiro de mixagem - Sergio Ricardo
Assistentes de estúdio - Alexandre Maurell
Masterizado por Ricardo Garcia no Magic Master
Projeto gráfico - Felipe Fonseca
Fotos - Gilda Barbosa
Coordenação gráfica - Silvia Panella

Relançado pela Biscoito Fino em 2004
Remasterizado por Rodrigo Lopes no estúdio Sarapuí
Design gráfico e ilustração - Ruth Freihof (www.passaredo-design.com.br)
Designer assistente - Anderson Araujo
Fotografia capa - Evandro Teixeira
Fotografias encarte - Frederico Mendes

UMA REALIZAÇÃO BISCOITO FINO
Direção geral - Kati Almeida Braga
Direção artística - Olivia Hime
Coordenação de produção - Joana Hime


Capa original de Álbum Musical, lançado em 1997.


DISPONÍVEL EM LIVRO DE PARTITURAS.