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Álbum Musical 2 (2008)
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01) Amor barato (com Zeca Pagodinho)
(Francis Hime / Chico Buarque)
02) Quadrilha (com Ivete Sangalo)
(Francis Hime / Chico Buarque)
03) Um carro de boi dourado (com Lenine)
(Francis Hime / Gilberto Gil)
04) Saudade de amar (com Adriana Calcanhoto)
(Francis Hime / Vinícius de Moraes)
05) Maravilha (com Simone)
(Francis Hime / Chico Buarque)
06) Coração do Brasil (com Joyce)
(Francis Hime / Olivia Hime)
07) Lindalva (com Paulinho Moska)
(Francis Hime / Paulo César Pinheiro)
08) Promessas, promessas (com Teresa Cristina)
(Francis Hime / Abel Silva)
09) Mariposa (com Mônica Salmaso)
(Francis Hime / Olivia Hime)
10) Grão de milho (com Renato Braz)
(Francis Hime / Cacaso)
11) O tempo da flor (com Olivia Byington)
(Francis Hime / Vinícius de Moraes)
12) À meia luz (com Ed Motta)
(Francis Hime / Ruy Guerra)
13) O rei de Ramos (com Luiz Melodia)
(Francis Hime / Chico Buarque / Dias Gomes)
14) Pau-brasil (com Mart'nália)
(Francis Hime / Geraldo Carneiro)
15) Viajante das almas (com Bibi Ferreira)
(Francis Hime / Fernanda Montenegro / Herbert Richers Junior)

 

O segundo Álbum Musical de Francis

Onze anos depois de sua primeira edição, Francis Hime lança pela Biscoito Fino Álbum Musical 2, com releituras de canções ‘‘lado b’‘ da carreira

Em 1997, Francis Hime convocou algumas das principais vozes da história da música brasileira para eternizar suas canções. Onze anos se passaram, 45 de carreira se impuseram, e o ‘‘volume um’’, embora cravejado de clássicos atemporais, tornou-se insuficiente. Anarquizando a genética e a cronologia, nasce agora seu gêmeo...bivitelino por assim dizer, pois as diferenças saltam, ainda que a matriz seja a mesma. Francis é detentor de uma obra vasta e plural; suas inúmeras canções em parceria compõem um relicário dos mais representativos do que foi confeccionado na moderna música brasileira. Sendo assim, nada mais coerente do que apresentá-las a novas e futuras gerações a partir da visão do próprio genitor:

- ‘‘É a síntese de um período importante na minha carreira, pois reúne minhas canções mais representativas, de 1963 à década de 80, mas priorizando as menos conhecidas, o ‘‘lado B’’. Escolhi os intérpretes em função das músicas, quase como se tivesse composto aquelas canções para cada um deles. Uma coisa meio premonitória’’ - avalia Francis.

O principal mérito de Álbum Musical 2 é justamente não ser uma compilação, um retrospecto dos grandes sucessos. Francis aqui não figura como o homenageado. Contrariamente, ele mesmo atua na construção do seu painel criativo, sinalizando a complexidade de temas e ritmos que permeia sua música. Olivia Hime, parceira na vida e na música, e produtora musical deste Álbum, resume:

- Este trabalho tem uma unidade. É um disco sobre o trabalho dele, com o toque dele, com a presença dele. Francis participa como arranjador e pianista em todas as canções. Isto evidencia o respeito que ele nutre pela própria obra. Os arranjos foram todos concebidos e pensados por ele e a partir daí, juntos, definimos os andamentos, conceitos de instrumentação...

Sendo assim, o critério primordial para a escolha do repertório consistiu em contemplar a diversidade de parcerias e estilos musicais presentes na obra de Francis, sem que isso necessariamente incluísse os grande sucessos. Em seguida, viriam os intérpretes, segundo a ‘‘monção premonitória’’ de Francis, talhados para cada canção. De fato, difícil pensar em outro, senão em Zeca Pagodinho, para imprimir toda a sua cadência e carioquice a Amor Barato; o mesmo se aplica à Ivete Sangalo e seu vigor de fevereiro na junina Quadrilha, com percussão ativa (como em boa parte do disco); ou no canto ‘‘cheio de nuances, belas divisões e grande musicalidade’’ de Simone na tépida caribenha Maravilha; ou ainda, na síncope de Luiz Melodia, o ‘‘rei do Estácio’’, para O Rei de Ramos. As quatro, frutos de uma das uniões mais profícuas da canção brasileira, Francis Hime e Chico Buarque – no caso de O Rei de Ramos, também com Dias Gomes.

A única parceria com Gilberto Gil, Um Carro de Boi Dourado, de 84, encontra em Lenine a voz ideal para projetar a riqueza de imagens criada pelo compositor baiano. Do parceiro ancestral, o primeiro, Vinicius de Moraes, aparecem duas: Saudade de Amar, na voz de Adriana Calcanhotto, também letrista de uma canção do poetinha com Francis (O Seqüestrador); e O Tempo da Flor, letra sob medida para o lirismo de Olivia Byington. Da dobradinha com o compadre Ruy Guerra, entrou À Meia Luz e, pela segunda vez, coube a Ed Motta interpretá-la; se da primeira foi uma escolha do próprio cantor (no show dos 60 anos de Francis, no Canecão), desta foi uma sugestão do maestro, aceita prontamente. Olivia, a grande parceira de Francis Hime, pois assim ela devidamente o chama, contribui com duas: Mariposa, que traz Mônica Salmaso em duplo papel, ora como a personagem de ontem (quando, na infância, ouvia esse acalanto da mãe), ora como a grande intérprete de hoje; e a luminosa Coração do Brasil, com seu canto de otimismo pós-ditadura, na voz de Joyce. E por falar ‘‘naquela época’’, a única parceria com Paulo César Pinheiro presente neste Álbum, Lindalva, foi censurada em 77, ano da gravação original. À época, as palavras ‘‘nusinhos em pêlo’’ foram consideradas ‘‘impróprias’‘, e agora, 31 anos depois, a canção ganha registro na íntegra, com Paulinho Moska.

Abel Silva e o saudoso Cacaso, muito identificados pelas parcerias com Sueli Costa, também estão entre os parceiros de Francis contemplados no disco, respectivamente com Promessas, Promessas (com Teresa Cristina) e Grão de Milho (Renato Braz). Fechando a seleção, a anárquica fusão de rumba, salsa, valsa e paso-doble para a folia tupiniquim do poema fantástico de Geraldinho Carneiro, Pau Brasil, na interpretação marota de Mart´nália; e a primeira incursão de Fernanda Montenegro como letrista, na verdade um texto da atriz organizado por Herbert Richers Junior e musicado por Francis, Viajante das Almas é uma grande elegia ao ofício do artista, à vida no palco. O disco encerra na apropriadíssima voz de Bibi Ferreira, outra absoluta dama dos palcos, que dá a deixa para todos os outros intérpretes saudarem uns aos outros. Todos pelo todo.

‘‘É um ofício lento, fugidio. Lentamente percorrer os séculos. E os espíritos imitando o homem’’ . A letra de Fernanda Montenegro só ratifica o que foi dito acima: o dono do ofício desafia a cronologia, transita entre os séculos em pouquíssimos anos, 45 por exemplo. ‘‘Ah, o nosso ofício é nossa festa, o suor do nosso rosto, o nosso prêmio...’’

 

FICHA TÉCNICA

DIREÇÃO MUSICAL – OLIVIA HIME E FRANCIS HIME
ARRANJOS – FRANCIS HIME
GRAVAÇÃO E MIXAGEM - GABRIEL PINHEIRO (ESTÚDIO DA BISCOITO FIINO)
ASSISTENTES DE GRAVAÇÃO E MIXAGEM – GUSTAVO KREBS, VINICIUS KEDE E ELIZA LACERDA
MASTERIZAÇÃO – LUIZ TORNAGHI (VISOM DIGITAL)
PROJETO GRÁFICO – BRANCA ESCOBAR E FERNANDA MONEGALHA (CRIATIPO)
FOTOS - GUILHERME VIOTTI (ENCARTE) ANA CECÍLIA BRIGNOL (CAPA) e DANI GURGEL (ENCARTE)
ASSISTENTE DE PRODUÇÃO – MARIA PORTUGAL
MÚSICAS – FRANCIS HIME
LETRAS – CHICO BUARQUE, GILBERTO GIL, VINICIUS DE MORAES, OLIVIA HIME, PAULO CÉSAR PINHEIRO, ABEL SILVA, CACASO, RUY GUERRA, DIAS GOMES, GERALDO CARNEIRO, FERNANDA MONTENEGRO E HERBERT RICHERS JUNIOR.
INTÉRPRETES – ZECA PAGODINHO, IVETE SANGALO, LENINE, ADRIANA CALCANHOTO, SIMONE, JOYCE, PAULINHO MOSKA, TERESA CRISTINA, MÔNICA SALMASO, RENATO BRÁS, OLIVIA BYINGTON, ED MOTTA, LUIZ MELODIA, MART’NÁLIA, BIBI FERREIRA.

UMA REALIZAÇÃO BISCOITO FINO
DIREÇÃO GERAL – KATI ALMEIDA BRAGA
DIREÇÃO ARTÍSTICA – OLIVIA HIME
COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO – MARTINHO FILHO