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Álbum
Musical 2 (2008)
O segundo Álbum Musical de Francis Onze anos depois de sua primeira edição, Francis Hime lança pela Biscoito Fino Álbum Musical 2, com releituras de canções lado b da carreira Em 1997, Francis Hime convocou algumas das principais vozes da história da música brasileira para eternizar suas canções. Onze anos se passaram, 45 de carreira se impuseram, e o volume um, embora cravejado de clássicos atemporais, tornou-se insuficiente. Anarquizando a genética e a cronologia, nasce agora seu gêmeo...bivitelino por assim dizer, pois as diferenças saltam, ainda que a matriz seja a mesma. Francis é detentor de uma obra vasta e plural; suas inúmeras canções em parceria compõem um relicário dos mais representativos do que foi confeccionado na moderna música brasileira. Sendo assim, nada mais coerente do que apresentá-las a novas e futuras gerações a partir da visão do próprio genitor: - É a síntese de um período importante na minha carreira, pois reúne minhas canções mais representativas, de 1963 à década de 80, mas priorizando as menos conhecidas, o lado B. Escolhi os intérpretes em função das músicas, quase como se tivesse composto aquelas canções para cada um deles. Uma coisa meio premonitória - avalia Francis. O principal mérito de Álbum Musical 2 é justamente não ser uma compilação, um retrospecto dos grandes sucessos. Francis aqui não figura como o homenageado. Contrariamente, ele mesmo atua na construção do seu painel criativo, sinalizando a complexidade de temas e ritmos que permeia sua música. Olivia Hime, parceira na vida e na música, e produtora musical deste Álbum, resume: - Este trabalho tem uma unidade. É um disco sobre o trabalho dele, com o toque dele, com a presença dele. Francis participa como arranjador e pianista em todas as canções. Isto evidencia o respeito que ele nutre pela própria obra. Os arranjos foram todos concebidos e pensados por ele e a partir daí, juntos, definimos os andamentos, conceitos de instrumentação... Sendo assim, o critério primordial para a escolha do repertório consistiu em contemplar a diversidade de parcerias e estilos musicais presentes na obra de Francis, sem que isso necessariamente incluísse os grande sucessos. Em seguida, viriam os intérpretes, segundo a monção premonitória de Francis, talhados para cada canção. De fato, difícil pensar em outro, senão em Zeca Pagodinho, para imprimir toda a sua cadência e carioquice a Amor Barato; o mesmo se aplica à Ivete Sangalo e seu vigor de fevereiro na junina Quadrilha, com percussão ativa (como em boa parte do disco); ou no canto cheio de nuances, belas divisões e grande musicalidade de Simone na tépida caribenha Maravilha; ou ainda, na síncope de Luiz Melodia, o rei do Estácio, para O Rei de Ramos. As quatro, frutos de uma das uniões mais profícuas da canção brasileira, Francis Hime e Chico Buarque no caso de O Rei de Ramos, também com Dias Gomes. A única parceria com Gilberto Gil, Um Carro de Boi Dourado, de 84, encontra em Lenine a voz ideal para projetar a riqueza de imagens criada pelo compositor baiano. Do parceiro ancestral, o primeiro, Vinicius de Moraes, aparecem duas: Saudade de Amar, na voz de Adriana Calcanhotto, também letrista de uma canção do poetinha com Francis (O Seqüestrador); e O Tempo da Flor, letra sob medida para o lirismo de Olivia Byington. Da dobradinha com o compadre Ruy Guerra, entrou À Meia Luz e, pela segunda vez, coube a Ed Motta interpretá-la; se da primeira foi uma escolha do próprio cantor (no show dos 60 anos de Francis, no Canecão), desta foi uma sugestão do maestro, aceita prontamente. Olivia, a grande parceira de Francis Hime, pois assim ela devidamente o chama, contribui com duas: Mariposa, que traz Mônica Salmaso em duplo papel, ora como a personagem de ontem (quando, na infância, ouvia esse acalanto da mãe), ora como a grande intérprete de hoje; e a luminosa Coração do Brasil, com seu canto de otimismo pós-ditadura, na voz de Joyce. E por falar naquela época, a única parceria com Paulo César Pinheiro presente neste Álbum, Lindalva, foi censurada em 77, ano da gravação original. À época, as palavras nusinhos em pêlo foram consideradas impróprias, e agora, 31 anos depois, a canção ganha registro na íntegra, com Paulinho Moska. Abel Silva e o saudoso Cacaso, muito identificados pelas parcerias com Sueli Costa, também estão entre os parceiros de Francis contemplados no disco, respectivamente com Promessas, Promessas (com Teresa Cristina) e Grão de Milho (Renato Braz). Fechando a seleção, a anárquica fusão de rumba, salsa, valsa e paso-doble para a folia tupiniquim do poema fantástico de Geraldinho Carneiro, Pau Brasil, na interpretação marota de Mart´nália; e a primeira incursão de Fernanda Montenegro como letrista, na verdade um texto da atriz organizado por Herbert Richers Junior e musicado por Francis, Viajante das Almas é uma grande elegia ao ofício do artista, à vida no palco. O disco encerra na apropriadíssima voz de Bibi Ferreira, outra absoluta dama dos palcos, que dá a deixa para todos os outros intérpretes saudarem uns aos outros. Todos pelo todo. É um ofício lento, fugidio. Lentamente percorrer os séculos. E os espíritos imitando o homem . A letra de Fernanda Montenegro só ratifica o que foi dito acima: o dono do ofício desafia a cronologia, transita entre os séculos em pouquíssimos anos, 45 por exemplo. Ah, o nosso ofício é nossa festa, o suor do nosso rosto, o nosso prêmio...
FICHA TÉCNICA DIREÇÃO
MUSICAL OLIVIA HIME E FRANCIS HIME UMA REALIZAÇÃO
BISCOITO FINO
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